Mércores. 27.10.2021
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A Praza da Pedra. A Praza dos Libros

Artur Alonso Novelhe en Carnota
O autor presentando o seu libro en Carnota
A Praza da Pedra. A Praza dos Libros

Esta fin de semana tivo lugar no Salón de Actos do Concello de Carnota a presentación do libro "Mudar o Mundo" de Artur Alonso Novelhe, organizado por Jéssica, da Librería Chorima. A idea era celebralo na Praza da Pedra, onde se ubica a libraría, pero o tempo non o permitiu. Foi José Manuel Armesto o encargado de presentar o acto, dando paso ao autor, que ligou moi ben a Praza co seu propio libro, facendo referencia a Jéssica e a Xurxo Souto, que no seu día bautizouna como a Praza do Libro.

Con este texto Artur Alonso presentou a súa obra:

”A Praça da Pedra. A Praça dos livros”

Se fores um dia a Carnota, entre o mar e pedra existe um segredo (que somente tu poderás descobrir, senão escondes no coração, outros mais pesados anelos)
Foi talvez em Carnota, que o primeiro alquimista descobriu a magia dos 4 elementos: a auga do sentimento, o fogo da vontade, o ar da inteligência e, a terra das realizações humanas... Em suas praias são um sagrado presente.
Senão foi, aqui, em Carnota, teve de ser em sonhos visionários desta natureza, que aquele primeiro alquimista recebeu o mistério dum quinto elemento, quinta essência, chamado mais tarde de éter.
Do qual ao parecer todos os outros derivam.

E como podes observar, Carnota, habita entre o céu, o ar, o mar e a pedra. Diz, que etimologia de Carnota, vem do vocábulo Céltico Corn, pedra. Mas também poderíamos sonhar, seu pétreo nome, ter ainda algo ver, com aquele Carnnutim ou bosque sagrado.
O Olimpo Celta, Monte Pindo, resguarda este saber, como cuida de toda a nação, língua e cultura Galega.
Granítico é o Monte, pois a pedra Fundacional, tem aqui muita importância.

A pedra simboliza também o umbigo da terra. Na "Trebopala" ou Pedra da Tribo, eram coronados os senhores celtas, em presença do estamento druídico, que serviam como testemunhas do pacto entre os homens e a Deusa Soberana.
Pois a Deusa Soberana, representava a senhora do território. Dado a soberania primordial feminina ser anterior aos Deuses e aos homens (assim o podemos comprovar na própria mitologia grega, onde Gaia é a primeira a surgir do oceano celeste, trás o caos começar a organizar-se).

Se os reis forem nobres, justos e bondosos, a terra gerava abundância; se pela contra, eles foram malvados, injustos e desonestos, a deusa natureza negava-lhes seu abrigo; surgindo os ciclos da miséria (sempre provocados pela ambição humana).

Está abundância da terra, era celebrada no "Lugnasad", e gerada no útero, taça, da soberana mãe, no seu aspecto de Deusa Nova, procriadora.
Está taça, útero terreno, estava ligada a taça, útero cósmico, simbolicamente representado pelo caldeirão cósmico e da cosmogonia da Deusa Keridwen.

Todas as taças sagradas, tem sua feitura de Pedra; pedras preciosas. Assim era a taça de Salomão.
Diz a lenda, que quando Lúcifer, o arcanjo da Luz, desceu as trevas (junto sua corte de 666 anjos revoltados) perdeu a esmeralda, que tinha cravada, no centro da sua fronte. Essa pedra lembra a "Umâ", a pedra hindiana, símbolo do terceiro olho. Terceiro olho, que lembra o "olho de Horus" da mitologia egípcia: ambos com o significado da consciência mais elevada.

Assim que quando Lúcifer caiu, no mundo obscuro dos abismos, o fez já sem a sua consciência, sem a sua sabedoria extraordinária e angelical. Prevalecendo em ele o lado animalesco, instintivo, mais da paixão, sem elevada razão como contraponto de equilíbrio.

Contam que um grupo de anjos legais a Universal Lei, recolheu a pedra esmeralda de Lúcifer (que é como acolher, resguardar, a sua angelical essência), e trabalharam a mesma, até fabricar uma taça divina, que continha o anterior magnânimo conhecimento. Está taça tem sua analogia com a taça sagrada do graal (brasão da bandeira Galaíca), uma de cujas réplicas se encontra a resguardo na capela do Cebreiro, nos fastuosos montes dos Ancares. A sua vez o mito grialico, tem sua conexão com aquele caldeirão cósmico da Deusa Keridwen e, com o virtuoso caldeirão de Brian, contendo o líquido que somente podiam beber os guerreiros nobres e valorosos.

A etimologia da palavra Graal nos remete ao latim Gradalis, como fonte de alimento; e também ao provençal Grazala, como taça para tomar sopa.

A fonte do alimento espiritual, reside no livro que forma, como um Gradal, fonte de variados conhecimentos.
Enquanto a taça que tem por conteúdo o elixir eterno, semelha tem algo a ver com a Pedra como Gradual raiz do fundamento.

Em Carnota temos a Praça da Pedra, em cujas lajes de granito (o granito presente no monte sagrado), ultimamente se celebram o saber anímico dos bons livros. Jéssica Martinez Maceiras, com seu amoroso, cuidadoso e bem realizado esforço, desde a livraria Chorima, está a trabalhar com muito carinho para dar luz, visibilidade, a Voz ou Vozes do conhecimento; daí que nosso amigo e escritor Xurxo Souto, com muito sabedoria, venha de ré-baptizar a praça como Praça dos Livros.

No entanto, pela analogia da Pedra, como raiz, pedra da Tribo, como taça que sustenta o líquido, ambrósia, da sabedoria; assim como do livro, como fonte de formação e conhecimento; bem podemos afirmar, serem está nossa Praça de Carnota, o local onde a Pedra sustenta o Livro da Sabedoria.
Em este pétreo pedestal, somente os livros e actos formativos tem presença.
Pois, os actos e livros deformativos, que como Lúcifer, perderam a consciência (na procura do ganho material, a qualquer custo), aqui sempre foram ausência.

A Praça da Pedra, dos Livros; do conhecimento, está custodiada pela livraria Chorima, pelos autores que a frequentam; sendo a guardiã dos seus mistérios, nossa querida Jéssica

Queres estes segredo conhecer? Se esse nobre sentimento, em ti está o fogo da vontade a acender, deves entender, que para ti as portas sempre estiveram, em Carnota, como suas praças, abertas…”

NOTA: A pedra é feminina, útero, o livro é masculino, semente; entre ambos inseminam, no imaginário coletivo, a flor: a Chorima do conhecimento.

  • Artur Alonso.

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